Cases e bastidores

Por que parei de fazer site sob demanda e passei a construir o Hub que tava faltando

Cada cliente que eu pegava de site sob demanda chegava com o mesmo problema. E não era o site.

KKauanFounder7 min de leitura
Mesa de trabalho minimalista com notebook fechado e caderno aberto manuscrito — composição editorial

Cada cliente que eu pegava de site sob demanda chegava com o mesmo problema. E não era o site.

Esse é o bastidor — sem founder cringe, sem narrativa heroica — de por que o Katto Neo existe. Por que parei de fazer site sob demanda em 2024-2025 e passei a construir o Hub que tava faltando. Pra quem chegou aqui pela primeira vez, ou pra quem me acompanha desde os tempos de design, esse é o post da fundação.

Os 4 anos fazendo site sob demanda

Comecei freelancer de design e desenvolvimento web em 2020. PME brasileira, principalmente São Paulo e Minas. Clientes típicos: clínica, agência pequena, consultoria, indústria de pequeno porte, lojinha online.

O processo era padrão: reunião de briefing, proposta, aceite, design no Figma, desenvolvimento, entrega. Padrão decente. Cliente saía satisfeito com um site bonito que resolvia o problema que ele apresentou.

E aí, 3-6 meses depois, o mesmo cliente voltava. Não pra reclamar do site. Pra dizer que "as vendas não cresceram como ele esperava". Que "ainda está sobrecarregado". Que "achava que o site ia resolver, mas não resolveu".

No primeiro caso, atribuí ao site. Talvez tenha errado na conversão, no SEO, no copy. Refiz partes, otimizei. Vendas não mudaram muito.

No segundo, no terceiro, no décimo caso, o padrão ficou óbvio: não era o site. O cliente não tinha problema de site. Tinha problema de operação.

O padrão que apareceu em todo cliente PME

Em cada cliente, exatamente o mesmo padrão:

  • O dono era o sistema da empresa.
  • Ninguém sabia quanto entrou no mês sem perguntar pro dono.
  • Ninguém cobrava cliente sem o dono lembrar.
  • A operação parava quando o dono sumia 48 horas.
  • WhatsApp da empresa era o celular pessoal do sócio.

E aí, o site bonito que eu entreguei? Trazia leads. Os leads caíam no WhatsApp pessoal do dono. O dono, sobrecarregado, não respondia em tempo. Os leads viravam clientes pela metade. A operação caótica não dava conta. Cliente novo virava cliente decepcionado. Indicação caía. Vendas estabilizavam.

O site não era o gargalo. O dono era o sistema.

Eu tava entregando carros bonitos pra pessoas que não tinham estrada.

Por que CRM sozinho não resolvia

Tentei a próxima coisa óbvia: aconselhar cliente a contratar CRM. RD Station, Pipedrive, Kommo. Vai resolver, certo? Vai dar visibilidade, ele vai gerenciar pipeline, pronto.

Não resolveu. Por dois motivos:

Primeiro: CRM sem financeiro integrado ainda deixa o dono no escuro sobre caixa. Cliente fechou no CRM, mas o financeiro fica no Excel, no banco, na cabeça do dono. Visibilidade parcial vira visibilidade falsa — te dá segurança sem te dar dado.

Segundo: CRM sem WhatsApp integrado ainda força o dono a operar pelo celular. A conversa do cliente fica no WhatsApp pessoal, o registro fica no CRM. Duas verdades, nunca conferem. Em 60 dias, CRM vira "lugar onde anoto algumas coisas", não fonte de verdade.

E aí eu via cliente cancelar CRM em 3-4 meses. "Não funcionou pra mim". O problema não era o CRM. Era que ele estava isolado das outras peças que importavam.

Por que CRM + financeiro também não resolvia

Tentei mais. "Cliente, contrata CRM mais Conta Azul. Conecta os dois."

Mais perto, ainda longe. Porque agora cliente tinha:

  • CRM com lead/oportunidade
  • Conta Azul com transação
  • WhatsApp Business com conversa
  • Planilha com tarefa
  • E-mail com proposta
  • Bling com nota fiscal

Seis ferramentas. Que não conversavam entre si. Cada lead novo exigia o cliente ou alguém da equipe alimentar 4-5 sistemas com a mesma informação. Cada handoff era uma chance de dado se perder.

Em 6 meses, o cliente que era "dono sobrecarregado com 1 sistema" virou "dono sobrecarregado com 6 sistemas". Mais caro, mais complicado, mesmo problema.

A operação não era um problema de ferramenta. Era um problema de integração.

A decisão: parar de fazer site, construir Hub modular

Em meados de 2024, depois de mais um cliente cancelar 5 SaaS frustrado, sentei e fiz a conta.

Pra resolver o problema que eu via em todo cliente PME brasileira de 3-30 funcionários, não bastava fazer site. Não bastava recomendar SaaS. Precisava existir alguma coisa que ainda não existia em PT-BR — Hub modular onde CRM, Vendas, Financeiro, Kanban e WhatsApp falassem entre si, com IA agêntica que executasse tarefa dentro do produto, e que coubesse no bolso de PME 50k-500k/mês.

Não tinha. Procurei. As opções eram:

  • Ferramentas internacionais (HubSpot, Salesforce): caras, complicadas, sem WhatsApp nativo BR, sem integração fiscal BR.
  • Ferramentas brasileiras existentes (Bling, Conta Azul, RD Station): cada uma resolvia uma fatia. Combinar virou o stack avulso que o cliente já estava cansado.
  • Hub modular feito no Brasil pra PME: ninguém estava construindo.

Decidi construir. Parei de aceitar projetos novos de site sob demanda em fim de 2024. Comecei o Katto Hub em janeiro de 2025. Linguagem direta, sem corporate. Visão clara: dono sai do sistema, empresa começa a operar sozinha.

O que aprendi nos primeiros 6 meses (que não estava no plano)

Algumas coisas que descobri construindo:

1. PME brasileira não quer "transformação digital". Quer ferramenta que funciona segunda-feira de manhã. "Transformação" é palavra de consultoria — não cabe no vocabulário do dono de PME.

2. WhatsApp não é canal. É operação. Quem trata WhatsApp como canal de marketing perde. Quem trata como espinha dorsal — onde tudo da operação confluir — ganha. Cobri isso no pillar sobre WhatsApp operacional.

3. IA agêntica é o que ninguém vende, mas todo dono PME quer. Chatbot fala. IA agêntica age. A diferença é o que separa "comprou IA, virou prateleira" de "IA libera 2h/dia do dono". Escrevi sobre isso.

4. Preço fixo bate preço por usuário. Toda PME que cresce vira refém de "agora você paga por seat". A gente decidiu cedo: Lite R$49, Pro R$197, Business R$397, mesmo preço em todo plano. Sem segmentação por porte.

5. Founder não pode esconder. Mais difícil pra mim, mais importante pro cliente. Cliente PME compra de pessoa, não de empresa. Por isso o WhatsApp do Founder ainda é direto, por isso o programa Founder ainda funciona, por isso eu escrevo posts longos como esse.

Onde Katto tá hoje, onde quer chegar

Maio 2026: o Hub roda em produção, tem clientes pagantes, e tem programa Founder pros 30 primeiros sócios-fundadores com 30% off vitalício no plano Business.

A meta dos próximos 12 meses não é "ser maior". É ser melhor. Especificamente:

  • Aprofundar Nexus (a IA agêntica) com mais ações executadas — meta de 20 skills auditáveis até dezembro 2026.
  • Multiplicar integrações nativas com sistemas fiscais (a parte que não vamos competir — vamos integrar).
  • Continuar publicando conteúdo honesto pra PME, sem buzzword.

Não tem foto de pódio nessa história. Tem um problema que eu vi em 50+ clientes, uma decisão de parar de oferecer paliativo, e a construção do que faltava. Devagar. Honesto.

Pra quem está chegando agora

Se você chegou nesse post buscando "como construir SaaS no Brasil" ou "história startup brasileira", a versão curta é:

  • Resolve um problema que você viu de dentro, não que você achou interessante.
  • Espere demorar mais que o plano. Sempre demora.
  • Diga o que você não faz com tanta clareza quanto diz o que faz.
  • Escreva. Publique. O conteúdo é parte do produto.

E se você chegou aqui buscando entender o Katto antes de assinar — obrigado pela atenção. O manifesto completo está em /sobre. O programa Founder está aqui. O Hub você testa em /planos, 7 dias grátis, sem cartão, sem reunião.

A história continua sendo escrita. Esse foi só o porquê.

Resumo de bolso

  • 4 anos fazendo site sob demanda mostraram que o problema não era o site.
  • O padrão em toda PME: dono era o sistema. Empresa parava sem ele.
  • CRM sozinho, CRM + financeiro, stack avulso — nenhum resolveu. Integração entre ferramentas era o gargalo.
  • Decisão em fim de 2024: parar de aceitar projeto novo de site, construir Hub modular brasileiro com IA agêntica integrada.
  • Hoje: produto rodando, programa Founder ativo, conteúdo honesto sendo publicado.

O Katto não foi insight de mercado. Foi sintoma de cliente. A diferença muda tudo.

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K

Kauan

Founder da Katto Neo. Construindo o Hub modular pra PME brasileira — onde vendedor fecha e a IA cuida do resto.

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